quinta-feira, 9 de julho de 2009

habitar existências interiores
difere muito de ler henry miller e suas imaginárias fantasias
quero lhe contar a angústia de um feto
não me faça sair deste útero quente supridor de verdades melancólicas variadas
quero ser só chuva
habitar o sempre e o nunca dos dias que levam à morte
derradeira certeza dos simples ou soberbos
contemplo jardins inférteis
quero me entregar à soturnidade de um domingo inativo
porém pleno de trabalhos imaginários
enquanto a roupa de meu cadáver seca no sol
viver é simples
não quero me ofuscar nessa retina de entendimentos sôfregos
nem ao menos dar bom dia para cavalos que não passam
cansada de toda a literatura universal
não podendo ser futuro no momento que possuo
e incapaz de apalpá-lo já ele sempre é um outro
me recolho à minha mais completa e terrível insignificância

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